Me enganei e publiquei o artigo no outro blog. Aqui vai o link para quem quiser visualizar e ler o texto, ver as fotografias.
http://adamsdecio.blogspot.com.br/2014/12/um-pouco-de-historia-do-brasil-parte.html
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
domingo, 28 de dezembro de 2014
Um japonês especialista em cachaça - Capítulo X
![]() |
| Um bar movimentado em São Paulo. |
![]() |
| Mesa futebol de botão com pés dobráveis. |
![]() |
| Mesa de pebolim dobrável. |
![]() |
inaugurado.
Pontualmente às 14 h, Manoel e Francisco destrancaram
as amplas portas da frente do estabelecimento. Do lado de fora era audível um
vozerio levemente alterado. Estavam ansiosos por ver as novidades que o novo
proprietario lhes iria apresentar. Haviam estendido do lado interno da porta
principal uma vistosa fita de cetim que seria cortada antes de dar acesso à
pequena multidão que aguardava do lado de fora. Moveram primeiramente as folhas das portas de vidro em armação de madeira. Depois levantaram a pesada
porta de aço que fechava o recinto.
Quando terminaram de abrir, os ansiosos fregueses
ameaçaram invadir instantaneamente o ambiente, porém um fotógrafo estava
postado do lado de fora e falou bem alto:
- Esperem aí gente! Temos que tirar uma foto do seu
Manoel cortando a fita de inauguração. Chame a namorada que está na cozinha
para fazer parte desse momento.
- Corra á Francisco, chame a Eduarda para vir aqui.
Francisco foi logo e Eduarda, vestindo avental, veio
meio a contragosto. Antes de se aproximar retirou o avental e a touca que
trazia sobre os cabelos para não parecer uma doméstica em serviço. Manoel fez
ela segurar a tesoura e cortar a fita, enquanto o fotógrafo tirava sucessivas
imagens do evento. Uma vez cortada a fita, Manoel falou:
- Convido a todos para tomarem uma taça de champanha
comigo e com minhã cabrocha Eduarda.
- Viva o Manoel! Viva a Eduarda! – gritou Francisco.
O povo respondeu: Viva!
Em instantes o interior se encheu de gente, que se
espalhou por todos os cantos. Alguns mais afoitos logo estavam inspecionando as
mesas de sinuca, pebolim e máquinas de fliperama. Havia ali diversão para
diversos gostos, Francisco e Manoel dedicaram os próximos minutos a
remover as rolhas de uma porção de garrafas de champanha, bem gelado. As taças
foram distribuídas e a bebida nelas despejada. Quando todos estavam com suas
taças, o freguês mais antigo falou:
- Um brinde ao sucesso do novo Bar, sinuca do Portuga.
Todos ergueram as taças, os cristais tilintaram e logo
todos bebiam um gole de suas taças. Ao se esvaziarem, havia mais bebida para
ser tomada. O que for a aberto deveria ser consumido. Não havia como tornar a
fechar. Nem foi preciso, pois não tardou a ficarem vazias todas as garrafas.
Houve que quisesse mais e Manoel disse que havia terminado. Previra a presença
de menos pessoas do que vieram de fato.
Nesses momento os salgadinhos foram colocados em
diversos pontos sobre as mesas do restaurante e também no balcão. Havia
pequenos pastéis, empadinhas, coxinhas, porções de queijo e salame, pãezinhos
com pate, azeitonas e outros quitutes. Diante da pequena multidão, Eduarda fez
sinal ao noivo para lhe dizer que, talvez fosse conveniente providenciar mais
alguma coisa para servir, pois viera bem mais gente do que o esperado. Ele
decidiu que o que havia providenciado era suficiente. Ao terminar, estaria terminado
e quem quisesse permanecer, a partir dali passaria a pagar para consumir. Não
prometera um “forra bucho” na inauguração, apenas um coquetel e isso for a
servido.
De fato. Em poucos minutos as bandejas estavam vazias
e garrafas de refrigerante também estavam espalhadas por toda parte. Começaram
a recolher tudo e aqueles que haviam vindo apenas pela comida gratuita
começaram a retirar-se. No entanto mais da metade do povo permaneceu ali.
Alguns organizaram na hora uma competição de sinuca, outro grupo formou duplas
de pebolim e também vieram comprar fichas para as máquinas de fliperama. Em
poucos minutos o recinto se encheu de conversas animadas ao redor das mesas de
sinuca. As de pebolim estavam rodeadas por um grupo menor, porém mais
barulhento e as três máquinas de fliperama espalhavam os seus sons por todos os
lados.
Em pouco tempo uma grande quantidade de cerveja havia
sido consumida, junto com travessas e mais travessas de salgadinhos, agora em
regime de comércio. As porções eram anotadas para as mesas, bem como as
bebidas. Também apareceram outros querendo jogar baralho e, verificando o
alvará, Manoel constatou que não haveria problema, desde que não se apostasse
somas elevadas. Tinha um pacote de feijão, cujos grãos serviriam de fichas para
o carteado e alguém trouxe os maços de baralho. Dessa forma, a tarde e noite
foram movimentadíssimas.
Antes do anoitecer houve que viesse perguntar se
haveria comida para o jantar, pois não queriam se retirar. Iriam aproveitar
esse dia, com preço de inauguração, para matar a vontade de jogar sinuca, ali
perto de casa, coisa que até aquele momento tinham que fazer bem longe de
casa. Em determinado momento uma guarnição de polícia militar se fez presente
para super visionar o andamento de tudo e Manoel os convidou a comerem um
salgadinho e tomar um refrigerante. Havia oferecido uma cerveja, mas o
comandante recusara. Não era permitido tomar bebidas alcoólicas em serviço.
Depois de comerem e tomarem seu refrigerante, deram uma volta por todo recinto,
verificando que nada estava fora do normal e se retiraram.
Foi preciso providenciar algumas coisas de que Manoel
se encarregou, para preparar alguns pratos rápidos para atender aos fregueses.
Por sorte encontrou um mercadinho aberto onde comprou carne moída, macarrão, massa
de tomate, salada e mais pequenos itens que havia esquecido. Estava tendo um
dia deveras cansativo, na inauguração do estabelecimento. O fotógrafo tirara um
bom número de fotos para depois poder escolher as melhores. Faria um álbum para
guardar e mandaria algumas mais significativas para a mãe e os irmãos. Assim
saberiam que ele estava se encaminhando para um futuro promissor.
Os fregueses haviam aguardado ansiosos pela
reinauguração e agora, pareciam querer ficar ali. Até dava impressão de que
temiam sair e ao voltar tudo ter retornado ao que era antes. Os mais
entusiasmados vieram um a um congratular-se com Manoel pelo bom gosto na
escolha das cores de pintura, os modelos das mesas. Até os mais jovens que se
divertiam nas máquinas de fliperama, gastando fichas e mais fichas para superar
a pontuação dos colegas. Em determinado momento foi preciso chamar atenção de
alguns mais entusiasmados que se punham a bater nas laterais das máquinas. Isso
poderia causar danos e o concerto significaria prejuízo. Havia custo e tinha
que pensar no tempo em que ela ficaria parada sem uso.
Deu
graças a Deus por ter mantido no serviço Francisco da Silva. Era um homem de
meia idade, incansável no servir aos fregueses, sempre sorridente e alegre.
Nunca se ouvia de seus lábios uma palavra mais rude, uma grosseria. Era
importante preservar um servidor deste naipe. Seria seu braço direito no
atendimento, em especial nos dias de feriado, finais de semana, começo da
noite. Eram estas as horas que os homens aproveitavam para espairecer, jogar
conversa fora, tomar uma geladinha, um conhaque ou caninha.
Não tardou muito e Manoel sentiu um vazio em sua vida.
Conversando com Alfredo durante um intervalo de menos movimento, comentou com
ele sua solidão. Após pensar por um instante, o parceiro lhe disse:
- Está na hora de colocar uma mulher na casa. Isto que
o senhor está sentindo é solidão, falta de companhia feminina. Eu é que não
fico sem minha Esmeralda, de jeito nenhum. Sempre que posso levo uma flor, um
mimo qualquer para agradar. Ajudo no serviço da casa, cuido das crianças quando
posso.
- Estou noivo e com casamento combinado para o começo,
mas tardar metade do ano que vem. Pena que eu acho que já estou passado da
idade. Estou chegando nos cinquenta.
- De maneira nenhuma.
Tem mulher que gosta de homem um pouco mais velho. Não reparou no jeito de
Eduarda olhar para o senhor? Ela está mesmo apaixonada. Disso pode ter certeza.
- Sabes que tu tens razão. Vou mesmo dar um jeito
nisso. Quem sabe ainda posso ter uns pequeninos. Sabes como chamamos os
pequeninos lá na terrinha?
- E como é que chamam as crianças?
- Lá em Portugal as crianças são os “putos”. Isso
mesmo que você está ouvindo. Putos e pronto. Aqui é que essa palavra tem outro
significado.
- Ora essa. Se eu chegasse lá e ouvisse alguém falar
isso dos filhos, ia ficar horrorizado.
- Sabes o pão que aqui chamam “francês”? Em Portugal
chamamos isso de “cacetinho”. A baguete, aquele pão francês comprido, é um
cacetão.
- Sinceramente, eu ia ficar meio perdido nos primeiros
tempos por lá, até me acostumar com esse jeito de falar.
- Isso é coisa fácil. Eu quando vim para cá passei por
isso. Várias vezes quase apanhei na rua quando ia comprar pão, ou então quando
falava com alguém que tinha crianças pequenas. Precisei acostumar depressa ou
teria passado maus bocados.
- Com toda certeza. O povo daqui deve achar
estranhíssimo essas formas de usar as palavras. Não ficaria nada admirado se me
contasse que tinha apanhado por isso.
- Depois da primeira promessa eu aprendi depressa.
Depois da primeira visita na padaria eu aprendi o nome do pão também.
- Pudera. Se fosse mulher a atender então iria ser um
pouco pior.
- Mas e quem tu achas que era? A filha do dono e eu
quase entrei na lenha, igual cachorro magro.
- Hoje já está bem acostumado com a vida aqui. Até se
tornou proprietário de um estabelecimento, o que eu, que nasci aqui, e
trabalhando a vida toda não consegui.
- Passei muito apuro, mas nunca deixei de guardar um
bocadinho do que ganhava todo mês. Nem que fosse preciso comer pão seco algumas
vezes.
- Mas isso também já é exagero.
- Pode ser, mas foi assim que consegui juntar capital
para investir na bolsa de valores e ganhei bastante com ações. Fiz vários
cursos no SENAI e isso me deu um cargo mais alto, onde ganhava mais. Agora no
final ocorreu um acidente e perdi esse dedo da mão direita, além de um pedaço
do pé esquerdo.
- Então é isso que o senhor manca um pouco?
- Que dúvida! É pouca coisa mas não consigo dar os
passos normalmente por falta da parte da frente do pé esquerdo.
- E lhe pagaram uma indenização?
- Uma indenização e me aposentaram. Por isso eu
consegui comprar isso aqui. Se não acontecesse isso eu ainda estaria
trabalhando na indústria por pelo menos 10 anos mais.
- Até que não faltava mais muito. A maior parte já
tinha passado. Difícil deve ser para quem começa no primeiro dia e pensa na
aposentadoria, depois de 35 anos de trabalho.
- Eu nem me importaria. Mas já que aconteceu, que seja
feita a vontade de Deus.
O dia da inauguração terminara, quando era mais de
meia noite. Manoel e Francisco limparam todas as mesas, conferiram as
geladeiras e abasteceram com o que restava no depósito. O consume havia
ultrapassado em muito a expectativa. Na cozinha as duas mulheres estavam mais
que cansadas e Manoel se prontificou a levar os empregados e a noiva para casa,
antes de ele mesmo se recolher para dormir. Iria ter problemas de acordar na manhã
seguinte para abrir. Mas não queria que eles saíssem a procurar transporte
naquela hora adiantada. Fecharam tudo e seguiram rapidamente, graças ao pouco
movimento de veículos existente naquele momento. A maior demora foi chegar à
casa de Eduarda, pois era mais longe.
Isso levou Manoel a propor a antecipação do casamento
para a época de dezembro ou janeiro. Ela prometeu analisar a questão e lhe
daria resposta no dia seguinte. Teria que verificar também com os pais se
estariam dispostos a concordar com a antecipação. Estavam se preparando para
arcar com as despesas do vestido e uma participação nas despesas da festa. A
antecipação significaria antecipar essas despesas e precisaria ver se isso não
iria por em cheque as finanças da família.
Manoel voltou, estava com um pouco de fome. Pegou um
pão com salame e queijo, um copo de vinho para acompanhar. Terminou de comer,
tomou uma chuveirada rápida e foi dormir.
Na manhã seguinte, um pouco sonolento, às 7h e 20 minutos estava abrindo
o estabelecimento. Nesse momento lhe ocorreu a hipótese de adotar segunda feira
como dia de descanso. Foi então que lembro não ser segunda feira, pois ontem
havia sido feriado. Estava na manhã de sábado e não tardou muito para aparecer
um freguês que queria um pingado. Por sorte, antes de abrir, preparara café na
cafeteria e pusera leite para esquentar. Estava preparado para servir ao
freguês. Serviu um tanto de leite num copo e perguntou:
- Assim está bom de
leite?
- Um bocadinho mais.
Gosto de leite com café.
- O amigo gosta de uma
loira então.
- Isso mesmo. Tem aí
por acaso um pão com manteiga?
- Vou providenciar já.
O padeiro trouxe cedo e deixou na porta de entrada.
- Isso é ótimo. Me veja
um no capricho.
Manoel serviu o café,
colocou açúcar à disposição e foi até o armário onde estava guardado o pão,
pegou a manteiga e preparou o que o freguês havia pedido. Colocou o pão em um
prato pequeno, junto com uma faca e também um guardanapo. Deixou sobre o
balcão diante dele e foi até o caixa conferir se tinha a disposição troco para
dar na hora de acertar a conta. O freguês não estivera na inauguração no dia
anterior. Chegara de viagem tarde da noite e estava indo até o escritório da
fábrica para a qual trabalhava para fazer o relatório da viagem. Não tinha
tempo de esperar a esposa ou filhas levantarem para preparar seu desjejum. Deu
graças a Deus por encontrar o estabelecimento de Manoel reaberto.
Pagou a conta e saiu,
prometendo voltar, especialmente quando tivesse tempo para disputar umas
partidas de sinuca ou futebol de botão. Era amante dos dois esportes. Quando
ele se retirou, em poucos minutos chegaram Francisco, Arminda e logo depois
Eduarda. Os três traziam no rosto os sinais do dia anterior que for a
cansativo. Manoel logo falou para eles:
- Eu vou estabelecer a
segunda feira como dia de descanso. Do contrário a gente não vai aguentar o
rojão.
- No tempo de seu
Joaquim a gente revezava e ficava aberto todos os dias.
- Se ficar pesado assim
como ontem, só com mais gente trabalhando e isso preciso ver se cabe no
orçamento.
- Senhor quem mandá,
patrão.
- Olhem só a Eduarda e
dona Arminda! Estão que é um trapo de cansaço. Vão chegar domingo à noite em
frangalhos. Segunda feira é dia de folga para a gente descansar. Os fregueses
vão entender com certeza.
O dia prosseguiu com
movimento médio, alguns antigos frequentadores voltaram para almoçar e
elogiaram a comida da cozinheira ou cozinheiro. Logo após o almoço, deu um
intervalo em que ficou quase vazio. Por volta das quatro horas os primeiros
fregueses de sinuca, pebolim e fliperama começaram a chegar. Logo as garrafas
de cerveja estavam saindo sucessivamente do refrigerador. Por sorte o caminhão
da distribuidora de bebidas passara pela manha e refizera o estoque de bebidas,
deixando tudo pronto para enfrentar o sábado e o domingo. Manoel fora até o
armazém e mercado municipal, onde providenciara os legumes, saladas e outros
produtos indispensáveis para a cozinha. Arminda e Eduarda haviam feito a lista
das compras.
Ao voltar estava com o
porta malas do opala, além do banco traseiro, lotados com compras diversas.
Francisco o ajudou prontamente a descarregar. Logo começaria o movimento do
almoço e diversos fregueses antigos haviam passado pela porta, avisando que
viriam avisar. Sábado era dia habitual de feijoada e ele dera essa informação
às cozinheiras. Por sorte os ingredientes estavam à disposição na despensa e as
duas prontamente haviam iniciado o preparo do prato principal e os acessórios.
A couve, as laranjas e detalhes que Arminda gostava de usar para incrementar
suas feijoadas, vieram nas compras trazidas por Manoel.
O almoço foi concorrido
e houve quem levasse uma porção para aquecer em casa na hora do jantar. Um
fogareiro resolvia o problema e evitava a necessidade de sair de casa. Dessa
forma não sobrou caroço de feijão na panela nem farofa, couve ou outra coisa.
Por pouco não faltou. Eles mesmos tiveram que se contentar com um pouco de
arroz, carne moída com molho e salada.
Só houvera calmaria por
umas duas horas, antes de iniciar o vai vem de gente entre as mesas. Logo havia
alguns fregueses sentando às mesas e pediam para jantar. Por sorte havia sido
preparada uma refeição leve para servir. Teriam que elaborar um cardápio à
medida que fossem descobrindo os gostos e hábitos alimentares dos fregueses. O
salão de refeições encheu de gente e novamente a comida ficou por pouco para
faltar. Enquanto isso os jogadores consumiam porções e mais porções de
salgados, junto com uma enorme quantidade de garrafas de cerveja. Um e outro
pedia um refrigerante, ou então um conhaque, mas a maioria pedia mesmo era
cerveja. Manoel ficou preocupado com o estoque. Temia ficar sem bebida no final
do domingo. Talvez isso colocasse em prática sua ideia de fechar na segunda
feira para descanso, mesmo sem querer.
Em torno de 22 horas da
noite, os policiais fizeram a habitual visita para conferir se estava tudo em
ordem. O movimento já começara a diminuir e próximo da meia noite os últimos
retardatários se retiravam.
- Ufa! Foi mais um dia
de movimento como nunca vi, - falou Francisco.
- Oigalê! Isso está
começando bem, minhã gente. Se continuar nessa toada, vou ser obrigado a
contratar mais gente para dar conta do serviço. Só nós não seremos capazes de
atender tudo.
As cozinheiras também
estavam exaustas. Concordaram com as palavras de Manoel. Se precisassem fazer
essa jornada todos os dias que viessem, não aguentariam com certeza. Até aquele
momento os noivos não havia tido tempo de conversar o dia inteiro. Quando não
era ele, era ela ou os dois ocupados em fazer tudo que era necessário.
Novamente partiram na viajem para casa e depois de deixar Arminda e Francisco
os dois seguiram sozinhos. Ela falou:
- Meus pais concordam
com a antecipação do casamento. Não haverá problema. Podemos tratar dos
detalhes.
- Que ótimo, minhã
querida. Uma coisa que vai melhorar é não precisar percorrer todo dia essa
distância toda para ir e voltar.
- Não podemos deixar para
muito tarde com os documentos. Tanto na igreja como no civil. Costumam demorar
um pouco e se formos fazer isso em cima da hora vão criar caso.
- Certamente,
certamente. Vamos tratar disso logo na semana que vem ou depois. Acho que então
dá tempo de tudo ficar pronto.
Ao chegarem ao portão
ela deu nele um beijo rápido, desceu e entrou. Estava cansada a mais não poder
e queria dormir logo. Ele pós o carro em movimento e iniciou a volta. Demorava
bem meia hora para chegar e também estava mais que cansado. Nem teve tempo de
sentir fome. Tomou um rápido banho e caiu na cama. Só levantou na manhã
seguinte com o toque da campainha da porta. Era Francisco chegando e ele se
apressou em descer. O empregado o encarou sorridente, caçoando de seu aspecto
de cansaço:
- Nossa Senhora patrão!
Desse jeito não vai aguentar o trance.
- E tu ainda pensas que
não devemos fechar na segunda para descansar?
- Se isso continuar, de
fato não vamos ter outro jeito. Outra alternativa é ter mais gente para o
serviço. Precisamos esperar uns dias para poder tirar uma base. Pode ser que em
uma semana diminua e fique normal, como era antes.
- Também pode ser que
fique sempre mais forte. A reforma, as mesas de jogos e tudo isso, pode fazer
aumentar o movimento no geral.
- Isso seria ótimo.
Crescer é uma coisa boa. Progredir já estava fora das ambições de seu Joaquim.
Ele só pensava ultimamente em manter o movimento para vender o estabelecimento
e voltar para Portugal.
- Eu não tenho nada
contra crescer. Ao contrário, vou ficar satisfeito se o bar ficar sempre
movimentado.
Nesse momento Eduarda,
seguida de Arminda entraram. Cumprimentaram os dois e foram para a cozinha
iniciar suas atividades. Tinham uma tarefa razoável a desempenhar até ao meio
dia.
Os dois tomaram café e
depois se puseram a conferir as bebidas, colocar em ordem as mesas de jogos,
limpar o salão para o almoço. Tudo precisava estar em perfeita ordem. Ainda
estavam atarefados quando começaram a aparecer alguns fregueses para se
divertir no fliperama. A notícia da existência das máquinas ali se espalhara
igual rastilho de pólvora pela redondeza. Os garotos adolescentes de toda
redondeza começaram a afluir ao estabelecimento e queriam uma chance de jogar
uma partida com os companheiros. As três máquinas não pararam um instante
durante toda manhã, desde pouco antes das nove horas. Sempre havia alguém a
espera, com uma ficha na mão e logo iniciar o jogo. Os pontos se somavam no
visor e a torcida era geral. Uns a favor outros contra, parecendo uma
competição de grande importância.
Em torno de onze e meia
começaram a chegar os primeiros fregueses adultos. Alguns queriam apenas tomar
um aperitivo e depois almoçar, outros tomar uma cerveja e jogar sinuca. De modo
que logo o salão se encheu de movimento em todos os lugares. A comida começou a
ser servida e o cheiro pareceu atrair os demais fregueses. Muitos moradores das
redondezas decidiram dar às esposas um dia de folga, levando a família a
almoçar no restaurante reaberto. Novamente foi preciso reforçar a quantidade de
alimentos para atender a todos os fregueses. Houve que esperasse por mais de
meia hora pela liberação de uma mesa para sentar, mas não desistiram.
O almoço encerrou e
começou a romaria de gente vindo em busca de diversão. Em determinado momento
Manoel temeu que faltaria bebida, mas ficou por pouco. Seria preciso
providenciar maior quantidade de vasilhame para suprir as necessidades que
estavam se mostrando além da atual quantidade existente. Sem dúvida segunda
feira seria dia de fechar e manter fechado para descansar. Era necessário
refazer as forças para suportar a continuação do trabalho. Estava satisfeito,
pois isso demonstrava que fizera um excelente negócio ao adquirir o
estabelecimento e o imóvel em um único ato de compra.
Dessa vez o movimento
diminuiu mais cedo e por volta de 22h e 30 os últimos fregueses se retiravam.
Trataram de fechar as portas e deixar tudo em ordem para o dia seguinte. Nesse
momento Manoel anunciou que estavam dispensados do dia seguinte. Não abriria pois
não aguentaria ficar em pé o dia inteiro ali atendendo os fregueses. Queria um
tempo para dormir, descansar, ir ao banco depositar o dinheiro que enchia seu
cofre naquele momento. Era temerário deixar tamanha soma de numerário no
estabelecimento. Um assalto deixaria zerado seu caixa e o estoque. Talvez
depois mudasse essa decisão, mas no momento era isso que tinha decidido e não
iria mudar.
Levou os três para suas
casas e dessa vez demorou alguns minutos em casa de Eduarda. Os pais estavam se
preparando para deitar e aproveitaram para falar e combinar os primeiros
detalhes relativos ao casamento. Combinou com Eduarda irem na segunda feira a
tarde tratar de encaminhar os documentos na igreja e no civil. Os pais
concordaram em que isso era importante providenciar imediatamente. Qualquer
atraso nos trâmites deixaria tudo atrapalhado sem tempo de remediar. Isso era
desaconselhável.
Voltou para o bar e estacionou seu carro na garagem,
fechando logo depois a porta e conferindo se estava bem trancada. Subiu e logo
depois deitava para dormir. A noite passou sem se dar conta e pela manhã ao
acordar o sol já estava alto. Levantou, ouviu algumas vozes na porta falando e
comentando o aviso que afixara ali de que essa segunda seria de descanso. Houve
quem concordasse e aprovasse. Um ou dois discordavam pois um estabelecimento
público tinha que estar aberto sempre, a espera dos fregueses. Nem se importou.
Eles se acostumariam a isso.sábado, 27 de dezembro de 2014
Um pouco de história do Brasil - Cerco da Lapa e Guerra do Contestado, parte IITele
![]() |
| Munumento erigido em Irani, primeiro reduto combatido por tropas do exército. |
![]() |
| Área de sepultamente de alguns mortos em combate. |
![]() |
| Capela com um grande cruzeiro na frente. |
Guerra do Contestado
Parte
II
Quando o clima estava num nível elevado de ebulição.
Insatisfeitos, desempregados, despossuídos e carentes por toda região, surgiu
um novo personagem. Ele se apresentou como José Maria, irmão ou parente do
segundo João Maria que por ali havia perambulado. Há quem lhe atribua origem argentina,
outros dizem que era ex-cabo do exército, sem que ninguém saiba a verdade.
Paira sempre uma dúvida, pois não existem documentos, pelo menos até o momento,
para comprovar alguma coisa.
Dizendo-se irmão de João Maria, possuidor de algum grau
de instrução, tanto que tinha conhecimento de propriedades curativas de
plantas, além de rudimentos de escrita e leitura. Facilmente se apropriou da
herança de João Maria, venerado por muitos como santo, especialmente o
primeiro. Em Taquaruçu, perto de Curitibanos, durante uma festa comemorativa,
ocorreu um ajuntamento de povo vindo de diferentes direções. José Maria estava
presente e o ajuntamento se prolongou. Dividiam os alimentos por igual entre todos,
os mais abastados mantinham os demais. Isso causou preocupação em Coronel
Albuquerque, superintendente (prefeito) do município. Era também membro do
congresso estadual, pelo mesmo partido do governador do estado.
Pediu ao governador reforço de tropas da guarda nacional
e polícia catarinense para dispersar o ajuntamento. O povo estava ali não reunido para combate, mas em busca de
ajuda, sustento e cura de seus males. A dispersão ocorreu o grande parte dos já
seguidores de José Maria migraram para a região de Palmas, mais precisamente no
Irani, onde se formou um reduto, já sob a chefia de José Maria. Mantinham no
entanto características pacíficas, falavam em “santa religião”, monarquia, e
algo que mais tarde foi denominado de “comunismo caboclo”. Junto com José Maria
haviam migrado um dos seguidores mais próximos Eusébio e sua mulher Querubina.
A nova localização do reduto, preocupou as autoridades
paranaenses, que consideravam a região parte do seu território. O Coronel João
Gualberto, chefiando uma tropa de mais de 300 homens, com armas de guerra,
fuzis, metralhadoras e obuses de campanha se deslocou para lá. Ao acampar nas
proximidades, o comandante recebeu um bilhete, levado por um caboclo de parte de
José Maria. Dizia que não tinham necessidade de brigar, pois não eram
intrigados. O reduto não tinha finalidades bélicas, não pretendiam agredir
ninguém. João Gualberto, saíra de Curitiba levando cordas, prometendo levar
José Maria e os outros líderes amarrados para desfilar na capital. Acreditavam
que os redutos de caboclos era estratégia das autoridades catarinenses para
forçar a execução da sentença demarcatória dos limites, exarada pelo STF no Rio
de Janeiro. Pensavam assim dar um susto nos catarinenses e reverter o quadro.
![]() |
| Coronel João Gualberto, morto em Irani. |
Com essa intenção João Gualberto disse ao mensageiro que
não recebia o bilhete e iria cumprir a promessa feita. Levaria o líder e seus
chegados para desfilar amarrados em Curitiba. Levou consigo apenas 60 homens e
encaminhou-se para o acampamento. Os moradores do ajuntamento, não dispunham de
armas, além de algumas espingardas, velhos fuzis da revolução federalista e
mais antigos. Tinham no entanto uma habilidade ausente nos soldados. Conheciam os segredos do sertão, eram hábeis
no manejo de arma branca como facão, adaga e mesmo algumas espadas. Acoitados no
meio do mato, caíram de surpresa sobre a pequena tropa que foi praticamente
toda dizimada, inclusive o comandante. Há depoimentos que afirmam ter ele sido
degolado por José Maria enquanto tentava fazer funcionar a metralhadora que
engasgara, parando de funcionar. Entre os caboclos não houve baixas
significativas, além do líder José Maria.
Os remanescentes da tropa militar, por falta de comando,
retornaram para Curitiba, derrotados. Já os caboclos, liderados por Eusébio e
Querubina, tendo a filha Theodora como “virgem” que falava em sonhos com José
Maria, voltaram para o Taquaruçu e iniciaram um movimento, dessa vez
revolucionário. Sentiam-se acossados, de um lado pelas autoridades
catarinenses, por outro pelas
paranaenses e ainda sofriam com a presença dos homens da segurança da Brazil
Railway e Brasil Lumber and Colonization. Criaram as “formas”, levantaram
cruzes, proclamavam o retorno de José Maria dentro de um ano. Ele teria ao seu
serviço o exército encantado de São Sebastião. Dentro do reduto era tido tudo
em comum. No começo houve quem fizesse doações e mesmo quem se juntasse ao reduto
colocando seus bens à serviço da comunidade. Durante algum tempo o comando foi
exercido por Theodora, sob inspiração de Querubina e Eusébio.
![]() |
| Carta do tempo do conflito do contestado. |
No ano de 1914 ocorreram diversas derrotas de tropas,
tanto federais, como estaduais, apoiadas por caboclos denominados “vaqueanos”. Estes
estavam mais aptos a combater os caboclos dos redutos, por serem de mesma origem.
Tinham habilidades que os soldados ignoravam. O principal inimigo das forças
regulares era a floresta com suas armadilhas. Estavam treinados a lutar em
trincheiras, ou então em campo aberto, usando as baionetas. Os facões e adagas
tinham desempenho superior na floresta. As várias derrotas dos soldados
deixaram para trás um grande número de armas e munições. Todas elas foram
recolhidas e distribuídas entre os caboclos. Dessa forma chegou um momento em
que dispunham tanto das armas brancas em cujo uso eram superiores, como armas
de fogo, reabastecidas de munição por comerciantes que não tinham escrúpulos em
negociar com eles.
![]() |
| Telegrama de Setembrino ao governo. |
Eram extremamente hábeis em armar “esperas” aos soldados,
em locais onde não eram esperados e infligiam pesadas baixas às tropas
oficiais. Em 1914 o comando das tropas encarregadas de liquidar os redutos era
o General Setembrino de Carvalho, transferido do nordeste para assumir o
comando. Preparou uma estratégia de cerco, visando sufocar os rebeldes. Dividiu
as tropas em vários grupos que foram deslocados para posições de onde
avançariam até encurralar os caboclos. Mesmo assim, o desconhecimento do
terreno, a audácia e valentia dos caboclos causaram estragos consideráveis. Em poucos
dias atacaram duas estações de trem, causando destruição e morte. O que havia
começado como um movimento com ideias pacíficas, por falta de sensibilidade
política das autoridades, se transformara numa luta por independência,
implantação de uma monarquia em que todos seriam livres, não haveria senhores.
Entre os rebeldes sucederam-se várias lideranças. Após
Theodora veio um rapazola que recebeu o título de “menino-deus”, mas com
características similares à virgem. Depois surgiu a neta de Eusébio, Maria
Rosa, retratada vestida de branco e montada em um cavalo branco, comandando os
rebeldes. Aos poucos as chefias mais moderadas e idealistas foram substituídas por
outras lideranças mais próximas das atividades guerreiras. Os assassinatos eram
lugar comum.
Uma coisa era comum nos redutos. A higiene precária,
aliada à alimentação deficiente, pouca disponibilidade de água potável, fizeram
eclodir epidemias de tifo. Quase imediatamente ocorria uma mudança para outro
lugar, onde geralmente era levantado novo povoado de casebres. Um deles foi o
de Caraguatá, depois de esvaziarem Taquaruçu. Ali o General Setembrino
conquistou relativa vitória, sendo depois disso as tropas federais recolhidas. Ficou
ao cargo das autoridades estaduais a conclusão da dissolução de outros
ajuntamentos. Esse trabalho se estendeu por 1915 e parte de 1916.
![]() |
| Capitão Ricardo Kirk, primeiro aviador brasileiro, morto em acidente na guerra do contestado. |
![]() |
| Hangares construidos para abrigar os aviões. |
![]() |
| Aviões sendo montados ao chegar. |
Pesquisando na internet sobre fotografias da época,
encontrei algumas de aviões da época. Na continuação encontrei um texto
narrando a vinda, de três aeronaves sobre um vagão de trem para serem usadas no
conflito. Construiram-se hangares, pistas de decolagem em vários pontos como
União da Vitória, Rio Negro e outros. O primeiro piloto brasileiro a dispor de
brevet, expedido na França, além de outro italiano, instrutor de voo no
aeroclube do Rio de Janeiro vieram para voar. Dois aparelhos caíram, sendo que
o segundo vitimou fatalmente o capitão Kirk, primeiro piloto e também primeira
vítima de acidente aéreo em terras brasileiras. Foi ali que se tentou usar pela
primeira vez o novo meio de transporte como arma de guerra. Assim encerrou-se
essa atividade, antes mesmo de entrar em ação efetivamente.
![]() |
| Rebeldes prontos para combate. |
![]() |
| Soldados protegidos por parapeito de madeira. |
![]() |
| Grupo rebelde disposto a luta. |
O último chefe rebelde foi Deodato ou Leodato. Homem
cruel e sanguinário segundo alguns depoimentos. Já outros o consideraram justo
e bom. Pouco antes de seu tempo havia os líderes menores como Castelhano, Chico
Ventura, Negro Olegário e outros que estiveram de certa forma sitiando a cidade
de Lages. Ao assumir o comando, Deodato mandou todos os “piquetes xucros”
recolher causando descontentamento nos líderes. Castelhano e Olegário ao que
consta, não se submeteram. Lutaram em diferentes lugares por sua conta com as
forças de que dispunham. O último ajuntamento foi em Santa Maria, num local
bastante seguro e difícil acesso. Ali resistiram por muito tempo, até que um
oficial vindo do setor norte, de nome Potiguara, conseguiu atravessar a densa
área de floresta e surpreendeu os rebeldes pelo lado em que não esperavam.
Isso provocou a fuga de muita gente, além de grande
número de rendições pacíficas. Havia muitos que tinham sido levados para ali a
força e na verdade estavam esperando uma oportunidade de escapar. O comandante
Leodato conseguiu evadir-se, ficando por alguns meses escondido no mato. Por último
se entregou às autoridades dizendo-se cansado de lutar. Foi conduzido para Florianópolis, onde foi
submetido a julgamento e condenado. Enquanto cumpria a pena, aprendeu o ofício
de sapateiro e trabalhava na sapataria da prisão. Um desentendimento levou-o a
matar um companheiro de prisão. O encarregado da prisão, dizendo-lhe facilitar
a fuga, simulou sua evasão. Quando ia sair, alvejou-o pelas costas, com um tiro
certeiro, matando-o ali mesmo.
Muitos caboclos, mesmo não sendo parte dos rebeldes,
foram caçados e mortos ou aprisionados no interior. Demorou um tempo longo para
cicatrizar as feridas abertas pelos combates que se estenderam por longos
quatro anos. Ao final da contenda, finalmente ocorreu também a assinatura de um
acordo entre as autoridades paranaenses e catarinenses, relativo aos limites de
território. Desde então os passaram a existir onde antes havia litígio as
cidades de União da Vitória do lado paranaense e Porto União do lado
catarinense. Assim também Rio Negro e Rio Negrinho. Um vasto território hoje
pertencente a Santa Catarina, desde Palmas até a divisa com Argentina na região
de São José do Cedro, Santo Antonio do Oeste, São Miguel do Oeste, e outros,
passou longos anos sob litígio. Depois disso essa região foi colonizada por um
contingente considerável de colonos provenientes do Rio Grande do Sul,
descendentes de imigrantes italianos, alemães e outras etnias.
![]() |
| Mapa da região do contestado. |
![]() |
| Familia cabocla. Mulheres vestidas de branco. |
![]() |
| Militares em momento de descanso durante a guerra. |
Não tenho pretensão de escrever um tratado histórico
sobre essa época. Isso é atividade para historiadores. As fontes que consultei,
apresentam os dados bastante difusos, sem uma cronologia definida. A tese de
Paulo Pinheiro Machado, é riquíssima de informações, mas cheia de idas e
vindas. Ora avança para os dias finais, ora retorna ao começo. Uma compilação
detalhada, organizando os fatos em ordem cronológica, tornaria o assunto mais
acessível ao leitor em geral. Existe material em boa quantidade disponível na
internet. Basta disposição para procurar e depois ler um por um, levando ao
final a formação de uma noção conjunta.
Como última pincelada, quero acrescentar que o líder
Deodato, era filho de criação de um fazendeiro Neco Peppe. Em determinado
momento Deodato invadiu a fazenda de Necco e o assassinou sem motivo justificável.
Matou sua mulher e se casou com a comadre, viúva. Havia entre eles um escrivão
que se encarregava de fazer os registros civis, pelo menos de parte das
ocorrências como nascimentos, mortes e casamentos.
É lamentável o fato de que, pelo menos nas escolas
paranaenses, muito pouco ou mesmo nada é estudado sobre esses acontecimentos
nas aulas de história. Tirei a dúvida perguntando ao meu filho e ele sabe
alguma coisa de notícias veiculadas na mídia, especialmente por ocasião do
filme nacional produzido sobre o conflito. Naquele momento houve uma divulgação
de alguns fatos. Mesmo um filme, por mais longo que seja, é incapaz de retratar
um conflito de cerca de quatro anos de duração. Seriam necessários vários
filmes, uma verdadeira série e mesmo assim grande parte das particularidades
ficariam sem ser retratadas.
Obs.: Quem tiver curiosidade,
procure no site da FGV e encontrará alguns arquivos em PDF que podem ser
baixados para leitura. Digitando no google a expressão Guerra do Contestado,
irá aparecer uma boa quantidade de links que remetem de alguma forma a
informações. Dentre esses há o de imagens. Este é o lugar de onde baixei
algumas fotos usadas para ilustrar as publicações dessas matérias no meu blog. Como
são fotos antigas, todas são em preto e branco. O crédito de produção dessas
imagens são devidas a diversos fotógrafos que registraram os diferentes
momentos e deixaram a imagem gravada para a posteridade.
![]() |
![]() |
| Grupo de moradores de reduto. |
![]() |
| Locomotiva tombada fora dos trilhos. |
![]() |
![]() |
| .
NOTA: Ainda estou lendo o material. Volto em outro momento para dar mais detalhes, com outros enfoques e pontos de vista.
|
Assinar:
Postagens (Atom)

.jpg)







.jpg)





.jpg)


















