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| Vista de Sete Lagoas. |
Encontrando o rival.
Conforme combinado na terça feira a família Pires se dirigiu
para a cidade. Começaram por visitar o escritório da empresa estadual de
energia elétrica. Levaram os documentos de identificação da ligação existente e
expuseram suas inteções de ampliar o uso da energia. Seria preciso instalar um
transformador mais potente no ponto de distribuição para suportar a nova
demanda. Além disso precisaria ser colocado mais um cabo, completando as três
fases. A vantagem existente era que recentemente fora implantado um benefício
que tornava o custo da energia para instalações rurais mais atraente. Havia
redução de impostos e taxas, de modo que, provavelmente, apesar do maior
consumo haveria talvez uma leve queda na fatura mensal. Na pior das hipóteses a
elevação seria insignificante.
Encaminharam a solicitação de realização dos serviços
necessários e autorizaram a cobrança dos custos relativos a isso. Ao saírem
dali Isabel olhou bem para o pai e disse:
- E o senhor preocupado com a conta de energia, hein pai! No
final das contas vai ainda economizar com a coisa toda.
- Uai! Tem alguma coisa contra economizá?
- Não, pai. Claro que não. Só chamei a atenção para o fato
de que, pensando em ter um gasto maior, ele vai ser menor ainda. Mas não tem
problema. Prometi e vou pagar a conta.
- Parem de ranzinzar aí, vocês dois! – falou Maria Luisa.
- Melhor mesmo, mãe. Vamos agora ver as máquinas.
A concessionária das máquinas de beneficiamento de café
estava instalada a poucas quadras e em poucos minutos estavam estacionando no
gigantesco pátio. Era um grande número de máquinas ali expostas para
propriedades de todos os tamanhos. A Fazenda Pires era uma das grandes e
precisaria o que fosse a última palavra no assunto. Ao ver os preços coronel
Onofre se arrepiou inteiro. Já estava pronto a dizer que não iria querer nada e
continuar a colher, manusear o café na forma como sempre fizera.
Isabel não lhe deu ouvidos e falou ao vendedor:
- Me veja o tudo que for preciso para beneficiar o café na
fazenda de meu pai. Ele está querendo ir embora, mas pode fazer o orçamento. Eu
vou pagar e dar de presente a ele.
- Venha aqui que vou mostrar o que vai resolver seus
problemas.
Caminhou resolutamente na direção das máquinas maiores e
mais modernas. Rapidamente descreveu o que cada uma fazia e quanto seria o
custo, o consumo de energia elétrica além de pessoal necessário na sua
operação.
- E tem como treinar os empregados para trabalhar com isso?
São todos xucros e nunca mexeram em dada disso.
- A empresa fornece treinamento no local. Depois fica
supervisionando por uma semana ou mais dependendo da necessidade.
Vendo a soma de tudo, Isabel viu que teria como arcar com
esse custo sem nenhum problema. Depois do sucesso que fizera na Europa,
provavelmente se pusesse à venda meia dúzia de seus novos trabalhos já
arrecadaria muito além do necessário. Sem contar com o seu fundo resultante da
venda e excursão durante a maior parte do ano. Chamou o pai e falou:
- Está tudo comprado, pai!
- Uai! Eu num falei nada. Tava esperando ocies para ir
embora.
- Deixe de ser sovina, meu pai! Eu já fiz o cheque da
entrada e quando instalarem, pago o restante. Do total que ganhei com meu
trabalho, sobrou muito mais da metade.
- Nem começa a resmungar, veio! – disse Maria Luisa.
- Uma me chama de sovina, a outra me chama de véio, eu
mereço isso. Devo de ter jogado pedra na cruiz di Nosso Sinhor!
- Agora vai se fazer de coitadinho. Isso não vale.
Nisso José, desconfiado de onde estariam, chegou e ouviu as
últimas palavras. Chegou e cumprimentou sem dizer mais nada. Apenas ficou
olhando para coronel Onofre.
- Uai! Num é isso mesmo que tão fazeno? A fia me chama de
sovina, a muié me chama de véio! Tô bem arranjado dessa manera.
- Coronel! Não reclame de barriga cheia.
- Estou dando de presente para ele as máquinas, a nova rede
de energia e os aparelhos de ar condicionado. Ainda por cima a conta de energia
vai até baixar um pouco quem sabe. Mas vou manter minha promessa. Vou pagar a
conta. E mesmo assim está reclamando.
José olhou sorridente para o coronel que, diante das
palavras da filha e do olhar do seu noivo ficou sem ação. Depois de instantes
falou:
- Estou virado um traste sem serventia memo. Acho que vou
para um asilo de véio. Assim não dou trabaio.
- E quem disse que o senhor dá trabalho, pai?
- Já fecharam negócio?
- Falta só emitirem a nossa via do pedido e providenciar
tudo. Tem uns itens faltando no estoque. Em uma ou duas semanas vão começar a
instalar tudo. Talvez ainda dê tempo de beneficiar o café dessa colheita que
está começando a madurar.
- Mas isso é ótimo. Anime-se coronel. Sua propriedade vai
ganha muito com isso. Diminui as perdas, obtém melhor classificação no mercado.
Só tem a ganhar.
Nisso o vendedor chegou trazendo a via do pedido e o recibo
de pagamento da entrada. Entregou nas mãos de Isabel que os dobrou e guardou na
bolsa. Estendeu a mão ao vendedor dando adeus e convidou os demais a seguirem
até uma loja que vendia os aparelhos de ar condicionado. Havia várias na
cidade, mas uma era habitualmente a mais barateira, além de vender os melhores
aparelhos. José fizera no dia precedente algumas indagações por telefone e
confirmara essa informação.
Era nessa loja que se encontrava a maior variedade de
modelos, tamanhos e marcas, sem contar os melhores preços da praça. Foram até
lá e Isabel retirou da bolsa uma folha de papel onde anotara as dimensões dos
cômodos onde pretendia instalar os aparelhos. Em vista disso havia a indicação
apropriada da potência necessária para uma melhor refrigeração dos ambientes.
Um de menor potência, além de não obter o rendimento desejado, corria o risco
de queimar devido ao funcionamento continuado na potência máxima. O objetivo
era instalar e não ter incômodo por muitos anos, salvo as manutenções de
limpeza que eram de praxe. Vendo a soma dos vários aparelhos, Onofre quis
diminuir a quantidade, dizendo:
- Num percisa tanto parelho. Apenas dois ou três basta pra
casa toda.
- Pai, se quiser que um ou dois aparelhos refrigerem a casa inteira,
não dá certo. É preciso fechar a porta do quarto e regular para não ficar nem
muito frio, nem quente. O objetivo é ter um ambiente agradável. Merecemos
dormir bem à noite.
- Coronel Onofre! Isabel tem razão. Esses aparelhos são
feitos de diferentes tamanhos para atender às necessidades de ambientes maiores
e menores. Tem lugares que se instalam dois para ficar bom num ambiente um
pouco maior.
- Mais viu o quanto isso vai custa?
- Isso é uma pechincha.
- Pechincha por que não é de seu bolso que vai sair a gaita.
- Nem do seu, pai. Eu vou pagar como prometi. Por isso fique
sossegado e deixe-me negociar com o homem aqui.
Após alguns minutos de propostas, somas,
subtrações, contrapropostas e no fim um generoso desconto para pagamento à
vista, o negócio foi fechado. A entrega ficou combinada para o final da semana.
Isabel perguntou ao vendedor:
- O senhor pode nos indicar alguém para fazer a instalação
correta desses aparelhos?
- A rede de energia comporta?
- No escritório da Companhia de Eletricidade nos informaram
que o que temos instalado dá para suportar a carga dos ar condicionados. Mas
contratamos a troca da rede por uma trifásica por causa das maquinas de
beneficiamento de café. Então vai ser tudo mudado.
- Mas aí será apenas uma mudança de uma rede para a outra.
Isso não atrapalha.
- Procure esse endereço e diga que fui eu que mandei. Eles
vão fazer um preço camarada e o serviço é garantido.
Isabel fez mais um cheque e o coronel Onofre só olhava.
Sentiu-se sem chão. Sempre fora sua a decisão de efetuar investimentos, fazer
despesas na fazenda. Era de seu bolso que saia o talão de cheques para pagar.
Hoje estava apenas assistindo uma pequena fortuna ser gasta e não tinha nem
sido perguntado. De sua livre vontade, nada disso tudo teria sido gasto. Achava
desnecessário. Não carecia tanta modernidade, tanto dinheiro limpo gasto, na
sua visão, sem necessidade. Mas não tinha mais autoridade sobre a filha que era
maior de idade, ganhara o dinheiro com seu trabalho e gastava como queria.
Sentiu que aquela coisinha pequena crescera, virara mulher,
e que mulher, ficara famosa, viajara mundo. Agora estava ali gastando o próprio
dinheiro e fazendo a própria vontade. O noivo, como um boi sonso, nem ousava
abrir a boca. Apenas sabia dar razão à noiva. A mulher, também dava razão à
filha. Estavam todos fazendo complô conta ele, um pobre velho, sem serventia.
Faltava pouco para o meio dia e deixaram a visita ao homem
que seria contratado para instalar os aparelhos para depois do almoço. Foram alamoçar
juntos no restaurante que ficava a poucas quadras do escritório. Assim José
teria tempo de voltar lá a tempo de atender aos compromissos marcados para a
tarde.
Em meio à refeição os olhos de Isabel custaram a crer no que
viam. Algumas mesas distante da que ocupavam viu, de perfil, o pintor que
conhecera em Milão. Seu nome era Giovanni dal Piccollo. Voltou os olhos para o
prato e logo depois voltou a olhar. Não se enganara. Era ele mesmo, não havia
dúvida. O que estaria ele fazendo ali em Sete Lagoas? Sua estréia em Belo
Horizonte estava marcada para a semana seguinte. Não lembrou se lhe havia
informado seu endereço, mas isso não teria sido difícil para descobrir.
Bastaria olhar os folhetos espalhados aos quatro cantos da Europa inteira.
Sentiu um misto de apreensão e dúvida.
Continuou comendo mas ficou pensativa. José Silvério não
tardou a notar o olhar fixo da noiva naquela mesma direção seguidas vezes.
Disfarçadamente virou para trás, como que olhando para o outro lado, mas se
virara o suficiente para ver para quem ela olhava. Viu um rosto masculino que
ficara gravado na mente desde a hora do jornal na noite se sábado. Suas
suspeitas recrudesceram. Ele tinha vindo por causa de Isabel. Mas por que razão
ela deixara de lhe falar sobre isso? Estaria tentando abafar um sentimento que
julgava inconveniente e inoportuno? O noivado e seu mergulho no trabalho
representavam uma fuga?
Tanto um quanto o outro perderam o apetite a partir daquele
momento. Logo depois o homem levantou ao terminar sua refeição e ter pago a
conta. Dirigiu-se para o balcão da recepção e perguntou ao caixa alguma coisa.
Este escutou atentamente e em seguida se inclinou, falando alguma coisa e
apontando na direção da mesa em que eles estavam sentados. Este lance passou
desapercebido pois por um momento haviam estado ocupados e saborear a sobremesa
que acompanhava a refeição.
O susto foi grande quando ouviram uma voz estranha ao lado
da mesa, dizendo:
- Bona cera, signiorina Isabel! Bona cera, signiora i
signiores.
Tomados de surpresa passaram-se alguns segundos até que
Isabel conseguisse articular as palavras:
- Boa tarde, Giovanni! Como vai?
- Io voglio bene. Uma agradabile surpresa!
- José, pai e mãe, esse é o Giovanni que conheci em Milão.
Três mãos foram estendidas alternadamente e apertarama mão
do estranho, dizendo por sua vez Boa tarde!
- Quer sentar-se, Giovanni?
- Gratie! Neste minuto teminé de almoçar.
- O que está fazendo por aqui? Sabia que vai estar em Belo
Horizonte semana que vem.
- Io veni fazere una visita a mi amica Isabel.
Aquela conversa não estava agradando a José. Sentiu o verme
do ciúme corroer sua alma. O que aquele italiano velhusco tinha vindo fazer
ali? Só podia estar em busca do amor de Isabel, da sua Isabel. Ele que sentasse
para esperar, pois seria um páreo à altura. O outro poderia ser famoso na
pintura, ter experiência com mulheres, coisa bem provável. Mas ele tinha de seu
lado as leis e a juventude. Além disso os pais da noiva lhe dariam apoio
certamente. Mesmo assim sentiu-se flutuar num mar de incertezas. O que fazer
para perscrutar o fundo da alma da mulher que dizia amá-lo e agora recebia a
visita de um estrangeiro, estranho de todos, apenas visto uma ou duas vezes na
Itália meses passados.
Giovanni não deixou
de notar o ambiente pesado que se fez no lugar. Viu que nas mãos direitas dos
jovens havia alianças e tentou lembrar se o hábito brasileiro era de usa-las na
mão esquerda ou direita quando casados. Não pode ter certeza, mas percebeu que
alguma coisa havia entre eles. Teria que disputar a preferência da bela Isabel
com esse brasileiro e sentiu-se autoconfiante. Tinha contra si a idade, mas
contava com seu charme, sua experiência adquirida em longos anos de viagens ao
redor do mundo, expondo e visitando exposições. Participara de encontros de
pintores, artistas plásticos em geral e tivera um grande número de aventuras,
tanto com jovens aspirantes ao estrelado artístico, como outras já consagradas.
No entanto em nenhum momento sua alma ficara tão enlevada
como diante da desconhecida brasileira. Ela lhe arrebatara o coração ao ponto
de quase cometer uma loucura na ocasião. Conseguira, a muito custo, controlar
os impulsos e um evento fortuito contribuira para impedir a realização de seu
intento. Agora a encontrava noiva ou casada com um patrício. Isso complicava
tudo. Precisaria ter cuidado, pois não deixara de ouvir ela chamar o casal
idoso de pai e mãe. Com certeza eles ficariam do lado do noivo, uma vez que
estavam almoçando juntos ali no restaurante. Viera antes para a região,
esperando ter tempo de estabelecer um contato mais duradouro.
Passou um longo momento a meditar sobre qual decisão tomar.
Ir embora e debitar seu entusiasmo na conta de mais uma frustração amorosa? Ou
partir para a luta, disputar com o outro, bem mais jovem, o coração da linda
mulher e excelente artista? Nesse momento lhe ocorreu perguntar:
- Onde es sua casa?
- Fica a uns trinta quilômetros daqui, Giovanni. Moramos
numa fazenda de café.
- Interessante. Com certeza és mui bonito!
- Nós gostamos demais.
- Io gostaria de conhecer. Posso?
Isabel olhou para os pais interrogativamente e Maria Luisa
falou:
- O que ele quer?
- Quer conhecer a fazenda.
- Eu levo ele no sábado, - falou José Silvério abrindo a boca
pela primeira vez.
Isabel percebeu em suas palavras um frêmito de indignação e
se deu conta do que acontecia. O seu noivo estava enciumado até a raiz do
cabelo. E não deixava de ter razão, uma vez que ela também sabia quais eram as
intenções do italiano. Viera tentar completar a conquista que não conseguira
concluir em Milão. Ela não queria criar uma cena ali e nem magoar o noivo. Buscou
freneticamente em seu intelecto por uma saída que a deixasse em boas condições
tanto de um quanto de outro lado. Indispor-se com um artista já famoso poderia
significar perder admiradores de sua arte. Já provocar ainda mais o ciúme já à
flor da pele do noivo, lhe traria sérios problemas para o futuro.
Sabia desde muito jovem que, confiança uma vez perdida,
nunca mais se reconquista totalmente. Sentiu-se presa em uma cilada. Para o
lado que se virasse via diante de seus olhos um resultado desastroso.
Finalmente resolveu dizer:
- Giovanni, meu noivo José, se propôs a leva-lo no sábado até
a fazenda. Assim haverá tempo de preparar um outro aposento para acomodar vocês
dois, um em cada lugar.
- Non posso ire hoje?
- Estamos fazendo uma pequena reforma na casa e está tudo
desarrumado.
Maria luisa sentiu um arrepio na espinha. Percebeu que ali
havia coisa. De onde a filha tirara a ideia de reforma na casa? Nem sequer
haviam sido citada tal hipótese. Se fosse preciso, teriam todos que confirmar
as palavras dela. O próprio José percebeu a manobra de Isabel e se
tranquilizou. Ela estava achando uma forma polida de se livrar do inconveniente
italiano. Dissera diante da TV ao vê-lo que ele tentara uma aproximação na Itália
e ela o mantivera a distância. Certamente concordava com ela não querer causar
nenhum escândalo em prol de sua carreira artística.
Diante da situação o visitante, um pouco frustrado, falou:
- Podemos al menos dare um passeo por la citá? Me pode
mostrar o que tem de bonito. Dopo io volto para Belo Horizonte.
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| Parque e lago de Sete Lagoas. |
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| Cinema de Sete Lagoas. |
Essa proposição agradou a José mais do que a possibilidade
de estarem os dois, ele e o estranho na fazenda, literalmente disputando a
preferência de Isabel. Era visível o olhar cobiçoso que o mesmo lançava sobre o
corpo jovem dela. Um passeio, acompanhada dos pais pela cidade seria algo menos
arriscado. Pediram a conta e depois José se despediu dizendo:
- Vou ter uma audiência muito importante daqui a pouco. Do
contrário iria com vocês.
Deu um beijo carinhoso em Isabel e foi para o seu carro. Os quatro
restantes embarcaram no carro dela e foram falar com o homem encarregado da instalação
dos aparelhos de ar condicionado. Essa questão veio exatamente a calhar.
Combinava com a realização de uma pequena reforma e posterior instalação dos
aparelhos. Giovanni estava estranhando o calor e imaginou o que seria dormir
uma noite sem o conforto do ar condicionado. Realmente essa vida não era para
ele. Perdera mais uma partida. Porém mal sabia o quanto estava longe da
verdadeira história.
Depois de combinada o serviço para ser realizado na semana
seguinte, Isabel levou o amigo para conhecer os principais lugares turísticos
da cidade. Os lagos que davam o nome à cidade, a vista da Serra do Cipó ao
longe, o fórum onde o noivo atuava frequentemente, a Igreja matriz, um pequeno
museu, a galeria de artes onde começara sua vida artística para o público cerca
de um ano atrás. Quando o sol se aproximava do horizonte, ela o deixou na
portaria do hotel e se despediu.
Numa última tentativa ele tentou leva-la para um lado e
conversar mas ela não aceitou. Em desespero ele suplicou ao menos um beijo:
- Um bacho! Solo um bacho!
- Eu nunca lhe dei esperança, Giovanni. Você veio aqui a
minha procura por sua vontade. Não lhe convidei nem disse onde morava.
- Arrivederche Bella! Te levare nel mio cuore por tuta la
vita.
- Seremos sempre bons amigos, - disse Isabel.
Virou-se e entrou no carro. Quando viraram a primeira
esquina, ela viu o italiano acenando no meio da rua. Se expunha a ser
atropelado, pois o lugar era relativamente bem movimentado. Mas ele parecia não
se importar com mais nada. Por sorte nada aconteceu. Alguns carros freiaram
forte e buzinaram. Ele saíu da rua de um salto e em seus olhos era visível o
pranto correndo. Era a própria imagem do desespero. Os funcionários da portaria
do hotel viram a cena e ficaram perplexos. Haviam visto que ele estivera
falando com a filha do coronel Onofre Pires. Ela era uma pintora famosa agora e
motivo de orgulho de todos os moradores do lugar.
Em pouco tempo o homem descia com suas malas e pediu para
fechar a conta. Ninguém lhe fez perguntas e nem ele falou nada. O estranho era
que havia chegado pouco antes do meio dia e antes do anoitecer ia embora. Nem a
cama fora desfeita. Não entenderam nada direito, apenas sabiam que ali existia
amor não correspondido. Pouco depois que ele saiu em direção à rodoviária,
chegou ao hotel o doutor José Silvério, figura igualmente conhecida nessas
alturas. Indagou do italiano e lhe foi informado que o mesmo partira há questão
de meia hora com destino determinado.
Por medida de precaução José voltou para o seu opala e foi
direto para a fazenda. Não teria paz para dormir não sabendo ao certo que a
ameaça havia mesmo partido ou se acaso ainda rondava por ali. Isabel estranhou,
quando, pouco tempo depois de chegarem em casa, escutou o carro de José chegar
e parar no lugar habitual. Preparou-se para viver um momento de crise. Foi cautelosamente
para a varanda esperar pelo noivo.
- Que aconteceu, meu bem?
- Você pergunta? Vim ter certeza que aquele “bepi” de uma
figa foi embora. De outra forma não teria paz para dormir essa noite.
- Fico lisonjeada com esse ciúme todo, meu bem.
- Eu vim para lutar pelo seu amor, minha querida. Ou não
tenho razão de estar preocupado?
- Razão de preocupação você não tem, porque eu nunca dei
nenhuma esperança ao Giovanni. Ele veio por iniciativa própria e deu com os
burros na água. Portanto, chega de esquentar a cabeça, meu amor.
- Ufa! Essa foi por pouco. Vi que aquele almofadinha metido
a galã ia se aboletar por aqui e ficar caçando encrenca.
- Não viu como eu desviei do assunto?
-
E a questão dos condicionadores de ar serviu perfeitamente de pretexto.![]() |
| Vista aérea de Sete Lagoas - MG. |




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