Cálculo
mental.
Vamos treinar o cérebro?
Houve um tempo em que os professores, depois de
ensinar aos educandos o reconhecimento e escrita dos números em algarismos
arábicos, lhes ensinavam as quatro operações fundamentais. Logo em seguida eram
feitas sessões de Cálculo mental. Como se faz isso? Certamente haverá quem
pergunte. Com certeza que a primeira forma de cálculo mental é a memorização da
tabuada. Nesse processo se utilizam recursos de contar nos dedos, contar os
elementos de vários conjuntos iguais e outras formas encontradas pela
criatividade dos mestres. Lembro meu professor primário nos fazia, em um dia determinado, recitar a tabuada desde o 1x1 até o 10x10, durante a formatura e entrada para as aulas depois do recreio. Era multi-seriado e todos entravam na roda. Os menores iam apredendo meio que na marra.
Uma vez consolidado minimamente o conhecimento da tabuada,
pode-se iniciar alguma coisa de cálculo mental. Inicia-se por perguntar de modo
salteado os produtos de dois números. A recitação da tabuada de modo sequencial,
leva ao chamado decoreba. Isso serve
num primeiro momento, mas depois começa a ficar fundamental lembrar como por
exemplo:
Quanto é 3 x 5 = ........
5 x 4 = ........
Assim sucessivamente. Por que é importante saber os produtos
de números de um algarismo entre si? Imaginaram fazer a multiplicação de um
número com três algarismos por um outro de um ou dois algarismos e ser obrigado
a recorrer a uma folha de papel localizando ali os resultados das
multiplicações parciais? Isso tornaria o processo algo bem demorado e
complicado. Estou até ouvindo muita gente dizer: Já inventaram a calculadora há
tempo. Não precisa mais disso. Se o objetivo for apenas saber o resultado, concordo.
Eu sei que a calculadora dá o resultado bem depressa e
correto, desde que sejam digitados os números e sinais de operações
corretamente. Basta esbarrar em uma tecla errada e poderá ver estragada a
operação, sendo preciso recomeçar.
Não é só isso. Nosso cérebro é como um músculo. Quanto menos
é usado, mais ele atrofia. Verdade. Quanto mais você exercita o raciocínio,
mais habilidade adquire. Lembro que, aos 6/7 anos comecei a vida escolar e
aprendi os números. Em um momento dessa época, minha mente associou uma espécie
de “escada”, mas não reta. Talvez melhor uma cerca com os palanques espaçados
de distâncias iguais. Mais tarde isso veio ser confirmado com a tal reta
numérica, associada aos números naturais, depois inteiros, reais e por aí vai.
O uso da memória é muito mais questão de treino do que de capacidade natural. Há
quem seja naturalmente bem dotado, mas mesmo os demais, podem exercitar e
alcançar um excelente desempenho.
Como se pode fazer cálculos mentais? Temos que começar com os
mais fáceis e aos poucos aumentar a complexidade. Vejamos como exemplo a soma
de dois números:
27 + 44
O habitual é escrever um embaixo do outro e somar, mas para
isso precisamos ter papel e lápis ou caneta. Mentalmente podemos fazer essa
soma em partes. O número pode ser decomposto nas suas unidades e dezenas: 27 = 20 + 7
44
= 40 + 4
Somando as dezenas vamos ter:
20 + 40 = 60
Somando as unidades, temos: 7 + 4
= 11
Agora é juntar os dois: 60 + 11 = 71.
A vantagem é que isso, com o treino pode ser feito em um ou
dois segundos. Muito menos tempo do que você gastaria até localizar a
calculadora em seu celular, abri-la no computador e digitar os números. De
quebra ainda ganha maior desenvoltura de raciocínio, até mesmo a admiração dos
outros, embora esse não deva ser o principal motivo. Aos poucos, você pode fazer essas operações em
escala mais avançada. Separa os números em suas unidades, dezenas, centenas,
milhares e assim por diante. Na prática é o que fazemos no papel, apenas usamos
a memória para guardar as partes que vamos somando e juntamos tudo no final.
Vejamos um caso de multiplicação:
37 x 8 =
O número 37 pode ser decomposto em 30 + 7.
O 30 x 8 = 240 (3.8, acrescido de um zero)
O 7 x 8 = 56. Agora basta
somar 240 + 56 = 296.
Comece com casos simples e aos poucos, quando a confiança
aume- tar, aumente a dificuldade das operações. Ninguém se torna um campeão de
velocidade de um momento para outro. É preciso muito treino. Se você quer
alcançar mais desenvoltura em matemática e mesmo em outras áreas, comece por
treinar cálculos mentais. Podem ser feitos inclusive durante a malhação dos
músculos. Os neurônios do raciocínio são independentes dos que comandam a
musculatura corporal.
Só se pode fazer somas e multiplicações dessa maneira? Não.
Todas as operações podem ser feitas, pelo menos até certo grau de complexidade,
apenas com o uso da memória e raciocínio, sem gastar nem lápis, caneta ou
papel. Essas contas te ajudam a conferir ou mesmo saber de imediato o troco que
tem que dar ou receber no momento do pagamento ou recebimento de um determinado
valor de certa mercadoria.
Você só vai saber a diferença se puser essas ideias em
prática. Sem isso, nada acontece e o cérebro fica preguiçoso, isso mesmo. Eu
lanço o desafio a quem estiver disposto a tentar. Só depende de você. Eu não
posso exercitar a mente em seu lugar, assim como ninguém pode “malhar” no lugar
de outro. Isso não é terceirizável.
Olá, Décio
ResponderExcluirBoa noite.
É uma forma de exercitar que eu acho muito boa. Não gosto muito de calculadora mas é a coisa da vida corrida... o "ganhar tempo" e perder na qualidade.Gostei muito do seu post.
Abraços
Lúcia
Se intenção de fazer campanha contra as calculadoras. O que defendo é o exercício da mente para aumentar desempenho, dar noção dos valores que se pode esperar de uma operação matemática.
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